• Diego F Baptista

THE LAST OF US - NOTAS AO VENTO (PARTE 3)


O conto a seguir é baseado na obra de terceiros, os quais detêm todo e qualquer direito sobre ela. O objetivo é prestar uma homenagem aos criadores, aos seus fantásticos personagens e seus extraordinários mundos fictícios. Em outros termos, um exercício criativo que visa demonstrar o apreço que temos pela obra representada.

IDAHO │ 5º DIA DA CAÇADA

Os passos sobre os resquícios de neve na trilha eram dados cada vez mais com dificuldade. Por essa razão o trio de patrulheiros de Jackson decidiu descansar, abrigados, em uma cabana. A construção que no passado fora vistosa, feita de madeira e com uma lareira de pedras, mas naquele momento não tinha quase nenhuma gota de seu esplendor de outrora. Era um lugar abandonado, carcomido pelo tempo e pela natureza que reivindicava seu espaço, fazendo o mato brotar no piso e vinhas se espalharem pelas paredes. No entanto, ainda era melhor dormir dentro da antiga cabana do que no relento frio da floresta.

Não demorou muito para que eles determinassem as tarefas do acampamento improvisado. Joel ficou responsável por acender a lareira com um pequeno fogaréu e cozinhar o feijão enlatado que o trio teve a sorte de achar pelo caminho. Já Ellie se ocupou em montar alguns itens úteis para caçada deles com as tralhas coletadas, como bombas de fumaça, granadas de pregos e, para caso de ficarem cara a cara com um grupo de infectados, coquetéis molotov. Enquanto Jesse, que optou por acompanhá-los ao invés de retornar para segurança do assentamento Jackson, ficou responsável por montar a vigilância do lado de fora.

O sol que brilhara tímido por dentre as nuvens naquele dia, já começara a se pôr. O frio se intensificou. Graças a isso, o feijão rançoso e o chá simplório feitos por Joel foram muito bem aceitos por seus parceiros sobreviventes.

Dormiram um sono breve e arisco, afinal de contas, ninguém dormia tranquilamente naquele mundo cruel e monstruoso, ainda mais em uma cabana no meio do nada.

Na manhã seguinte, Jesse, novamente, tomou a iniciativa de examinar os rastros que seguiriam um pouco à frente na trilha, ou seja, ele faria o trabalho de batedor. Isso era recorrente, desde que ele se juntou a Ellie e Joel, que desconfiavam que o rapaz fazia isso motivado pelo sentimento de culpa, visto que Jesse não conseguira impedir que Dina fosse levada. Portanto, ele buscava ser sempre proativo, mesmo sentindo dor, devido aos seus machucados provenientes da tortura pela qual passou.

Sentado na parte baixa do umbral da janela mais larga da cabana carcomida, Joel escrevia algumas palavras em seu diário de viagem. Fazia aquilo para relaxar, porém, com todo o cuidado para não furar as páginas e nem quebrar o grafite do lápis, pois esses eram itens cada vez mais raros naquele mundo pós infecção de Cordyceps. Para ele, o fungo e seus esporos, não só arruinaram a civilização como um todo, mas também trouxeram de volta a selvageria e violência que dormia dentro das pessoas. Seu texto, na verdade um pedaço de uma canção que estava compondo, tentava demonstrar esse sentimento:

“As lágrimas terminaram

Sopradas pela solidão das ruas

O tempo já não importa mais

O tempo já não importa mais

Quantas vezes já pensei

Naqueles que se foram...”

Ele parou, fechou os olhos buscando inspiração. Por fim, suspirou e seu hálito produziu vapor. Escutou Ellie murmurar consigo mesma, foi até ela.

– Pode dar uma olhada? Me diga o que acha desse trecho – pediu ele exibindo a página do diário com a letra da canção.

– Sobre o quê? – Ellie nem olhou na direção dele, estava concentrada em estudar o mapa aberto na frente dela.

– Sobre a música que íamos compor juntos.

– Ah, certo – comentou a jovem meio a contragosto. – Joel, eu não tenho cabeça e nem tempo para isso agora, tá legal? Temos que alcançar aqueles desgraçados e salvar a Dina.

– Você está certa, me desculpe – disse ele fechando o diário e fitando o mapa.

Ambos examinaram a grande folha manchada que exibia o mapa do que fora o país chamado Estados Unidos da América. Havia uma marcação, traçada desde o assentamento Jackson, cruzando a fronteira entre os estados de Wyoming e de Idaho. Essa linha representava o caminho que os membros da WLF estavam fazendo. Naquele momento, Ellie tentava estimar a rota que seria feita a seguir por seus perseguidos. Notando isso, Joel sugeriu:

– Sabemos que eles estão seguindo para Noroeste, querem chegar a Washington, mas acredito que essa rota vai fazer com que passem bem aqui – apontou com o indicador uma pequena cidade no mapa.

– Hailey? – Perguntou Ellie lendo o nome do local.

– É um palpite, mas acredito que essa cidade esteja na rota deles, pois é a mais próxima após descerem pela trilha da colinas. No meu ponto de vista, eles não vão imediatamente querer subir as montanhas a Oeste, pois teriam que cruzar o rio Big Wood.

– Acha que eles vão seguir pela estrada depois disso?

– Isso seria uma boa ideia, ainda mais se eles tiverem algum tipo de veículo.

A constatação de Joel fez o coração de Ellie apertar em seu peito. Eles conheciam pouco sobre o grupo que estavam perseguindo e era possível que contassem com veículos a seu dispor. Esse pensamento a fez se ressentir ainda mais por ter optado em segui-los a pé, ao invés de buscar montarias em Jackson. Mas essa opção também trazia o risco de que o rastros dos lobos vindos de Washington sumisse – esse pensamento a reconfortou.

– Temos que ir, o quanto antes.

– Vou pegar as nossas mochilas – Ofereceu Joel.

A porta da cabana rangeu e se abriu, Jesse, esbaforido, entrou falando:

– Pessoal, vocês têm que ver isso...

No topo de uma colina esverdeada, o trio de Jackson, abaixado, fitava o horror alguns metros à frente, no território mais baixo. Uma horda de infectados, uma massa de criaturas deformadas devido a infecção dos fungos. Poucos indivíduos daquele grupo horrendo, se moviam de um lado para outro, emitindo gritos e urros guturais. Boa parte ficava estática, apenas tremendo, como se tivessem fortes espasmos musculares, mas se mantinham no lugar.

– Pelo que eu contei, deve ter mais de oitenta deles ali – informou Jesse.

– Isso só são os que estão no descampado, pode ser que tenham mais, daquele lado, embaixo das árvores – opinou Joel apontando para início da orla da floresta.

– A maioria parece ser de perseguidores, mas que merda! – se lamentou Ellie em voz baixa.

Os infectados classificados como o tipo perseguidor, representavam o segundo estágio da infecção pelo Cordyceps.

O primeiro estágio gera os corredores, pessoas recém-infectadas, de um a dois dias pós contato com os esporos ou mordida, ficavam agressivos e correm atrás de qualquer um não infectado, com instinto animalesco e sem qualquer senso de autopreservação.

Já o segundo estágio da infecção gera um ser que tem a visão e velocidade dos corredores mais a força brutal e ferocidade dos estaladores, que são o terceiro estágio da infecção. Também existe um quarto estágio, que gera aberrações enormes, as quais poucos sobreviveram ao seu encontro.

Por fim, no último estágio da infecção, encerra o ciclo, ceifando a vida do hospedeiro e transformando seu corpo em grande cultura de cogumelos, assim gerando novos esporos para infectar outras vítimas, iniciando outro ciclo de infecção.

– Está cada vez mais comum vê-los andando em grandes bandos – declarou Jesse.

– São como qualquer outro animal caçador, quando as presas ficam escassas, migram para outro canto. Precisam continuar se reproduzindo, nesse caso, gerando cada vez mais esporos. Esse é o lado ruim de não estarmos mais no topo da cadeia-alimentar – ponderou Joel.

– Cadeia-alimentar? – perguntou o jovem realmente sem entender aquele termo antigo.

– Não ensinam mais isso nas escolas? – questionou o velho sobrevivente, recebendo como respostas um menear de cabeça negativo. – Bem, faz sentido. Afinal, isso já não é mais verdade, há algum tempo.

Voltaram a observar o grande bando de infectados, em silêncio. Pensando em formas de evitar aquele perigo e seguir em frente, já que, infelizmente, a horda parecia migrar para a mesma direção que os patrulheiros de Jackson estavam indo, a pequena cidade de Hailey.

– Acredito que seja melhor retornarmos até o sopé da colina, poderemos rodeá-los, indo em sentido ao Sul. Depois podemos seguir para cidade – o jovem patrulheiro sugeriu um rota menos arriscada para o trio.

– Isso aumentaria a viagem até a cidade em um ou dois dias – estimou Joel.

– Não, temos que seguir em frente! – Ellie jamais aceitaria perder mais tempo, pois acreditava que a vida de Dina estava por um fio. Apontou para uma suposta rota que cruzava o menor contingente de infectados. – Podemos passar por ali, usando a vegetação a nosso favor.

– Isso é muito arriscado... – começou Jesse, mas parou ao ver o olhar determinado da jovem sobrevivente enquanto Joel dava o aval para aquele plano, apenas suspirando pesadamente.

Os três acharam uma trilha, há muito não usada, que descia a colina. Quando chegaram próximo à horda de infectados, puderam sentir o cheiro pútrido que aqueles seres emanavam de seus corpos fustigados pelo fungo medonho.

Devido a experiência em lidar com aquele tipo de aberrações, o trio de Jackson conseguiu avançar, usando a grama alta, troncos caídos e, em certa parte, escombros e carcaças de veículos como cobertura e usando o silêncio a favor deles. Contudo, eles sentiam calafrio na espinha toda vez que percebiam alguma movimentação ou som fora do comum, por parte dos infectados. Mas quando estavam chegando próximos a uma grande construção, um depósito de um estabelecimento que já fora um hipermercado no passado, foram surpreendidos.

Latidos altos, constantes.

Um cão selvagem, com pelos em tons mesclados entre as cores preta e cinza, latia ferozmente em direção aos três patrulheiros de Jackson, que se entreolharam assustados, visto que aqueles latidos chamaram toda a atenção que eles não queriam. Logo, já era possível ouvir os gritos e urros dos infectados, correndo em direção a fonte do som.

– Corram! – gritou Joel, após disparar com sua escopeta de cano duplo serrada, explodindo o crânio do infectado que primeiro se aproximou em frenesi.

O primeiro a fugir, por puro instinto animal, fora o cachorro, seguido por Ellie, que mesmo entre suas passadas de corrida, conseguiu sacar de sua mochila um dos coquetéis molotov que fizera anteriormente. Porém, teve dificuldades em acendê-lo. Jesse, devido aos seus ferimentos, não conseguia correr o máximo que podia e foi ultrapassado por Joel, que tinha disparado mais uma vez para trás, descarregando sua arma de cano duplo, e com isso, dilacerando a perna de uma infectada.

Ellie foi a primeira a chegar em um cerca gradeada, antes de pulá-la, acendeu finalmente o molotov e o arremessou em direção ao grupo de infectados. A garrafa se estilhaçou ao atingir um infectado, o líquido respingou em pelos menos cinco dos perseguidores e as chamas os consumiram. Outros infectados foram afetados, graças a sua gana coletiva de alcançar o trio de sobreviventes. Gritos e urros agonizantes permearam o ar, enquanto o fogo queimava implacável. Todavia, aquilo não seria o suficiente para deter a grande horda, que logo sobrepujou a área da queimada.

O segundo a pular a cerca foi o Joel, mas antes de continuar sua fuga, olhou para trás e viu Jesse com dificuldades de alcançar o topo do obstáculo metálico. E para seu azar, um dos perseguidores conseguiu agarrar a sua mochila o puxando para trás, o fazendo cair de costas sobre o infectado que o puxou.

Soltando as alças da mochila, Jesse se pôs de pé, recuando até a cerca e sacando o seu facão, reforçado com fita e pedaços de metais. Ele golpeou e golpeou, sangue e vísceras saltaram para ar, o monstro que tinha o derrubado morreu, mas Jesse, sem querer, destruiu a sua mochila e tudo que estava dentro dela, naquela ação desesperada.

Outros infectados corriam em direção ao jovem patrulheiro, que se preparou para continuar lutando, até onde conseguisse, tendo em mente que a sua morte era certa.

– Jesse, saia daí! – Gritou Joel, colocando o seu último cartucho em sua escopeta de cano cerrado.

– Eu não vou conseguir pular, fujam vocês! – respondeu Jesse trincando os dentes e enfrentado o infectado que o alcançou.

Foi então que uma bomba improvisada de fumaça estourou entre os infectados que estavam mais próximos ao jovem patrulheiro de Jackson, que cobriu os olhos e boca por puro reflexo depois da explosão. Os perseguidores ficaram aturdidos por alguns instantes, tempo o suficiente para uma mão esguia agarrar a blusa de Jesse e obrigá-lo a correr, ladeando a cerca.

– Vem comigo, rápido! – a voz de Ellie saiu em tom firme, enquanto ela puxava Jesse. A jovem tinha tomado a iniciativa de pular de volta a cerca, calculando uma rota de fuga para os dois, tendo em mente as limitações físicas atuais de seu colega.

Os dois passaram por um buraco da cerca, que dava para pátio traseiro do grande depósito. Ellie viu que eles poderiam entrar na construção, por uma janela que estava com parte das tábuas, que outrora a lacravam, arrancadas.

– Por ali, vamos! – ordenou ela.

Mas chegando próximo à janela, Jesse notou algo tão perigoso quanto os infectados que os perseguiam.

– Esporos! – gritou, apontando para nuvem de partículas amarelas que escapava pela fresta da janela.

A dupla parou abruptamente, alguns passos antes da parede do depósito. Ellie sacou de sua mochila uma máscara de gás, desgastada, contudo, útil. Antes de colocá-la, reparou o desespero de Jesse, que olhava para todos os lados, buscando outra rota de fuga.

– Vai, põe a sua máscara!

– Ela estava na minha mochila – informou Jesse em tom de lamentação.

Não havia alternativas, uma vez que os infectados já estavam quase acessando o pátio. Ellie tomou uma decisão e jogou a sua máscara no colo do rapaz, dizendo:

– Coloca isso, rápido!

– Mas e você?

– Faz logo o que eu disse! – o tom de Ellie deixou claro que ela não queria discutir.

Então, Jesse pôs a máscara e, com um certo esforço saltou para dentro do grande depósito. Ellie acendeu o seu segundo, e último, coquetel molotov e arremessou contra os infectados que chegaram ao buraco da cerca. Depois, torcendo para que Joel estivesse bem, ela também pulou para dentro do depósito infestado dos esporos do Cordyceps.

Era possível ver a expressão de espanto de Jesse, mesmo através do visor embaçado da máscara, enquanto ele olhava para Ellie, que respirava dentro daquela nuvem da morte com tanta facilidade quanto se estivesse em algum campo esverdeado. A jovem notou a perplexidade de seu colega, apenas sinalizou, com o dedo indicador em risco sobre os lábios, pedindo silêncio, pois, nos locais onde há nuvem de esporos no ar era comum existir infectados dos tipos mais perigosos, como os estaladores.

Tomando todo o cuidado do mundo, a dupla percorreu o grande depósito, circundando obstáculos e evitando chamar atenção indesejada. Por fim, conseguiram sair por uma porta na lateral do prédio, já distante do pátio traseiro.

Eles respiraram profundamente depois de sair daquele local terrível. Quando Jesse tirou a máscara, encarou Ellie nos olhos, sem saber o que dizer sobre o que descobrira sobre ela. Sem jeito, lhe devolveu o equipamento de proteção.

Seguiram a rota planejada e graças a isso encontraram com Joel, que sem hesitação os abraçou, feliz por eles se reencontrarem.

Mais tarde naquele dia, acharam um bom local para acampar, um antigo escritório que ficava sobre uma barbearia. Já estavam na cidade de Hailey, mas optaram por descansar, pelo menos um pouco, antes de continuar a caçada aos lobos de Washington. Enquanto Jesse dormia, afinal de contas era ele o mais ferido do trio, Ellie contou a Joel o que ocorrera no depósito.

– Você não podia ter feito isso – desaprovou Joel meio irritado.

– Ué, e o que eu devia ter feito? Deixado ele para trás, para morrer? – a jovem assumiu uma carranca de ressentimento.

– Não é isso o que eu quis dizer, e você sabe disso.

– Sei o quê, Joel? Que as pessoas não podem saber que eu sou imune a essa merda toda! Mesmo aquelas que são minhas amigas, aquelas que eu amo! Não, parece que seria melhor que todos eles morressem ignorantes, sem saber que a melhor chance da salvação deles estava bem ao seu lado. É isso, hein?

O velho sobrevivente respirou fundo, tentando controlar sua raiva, pois aquela garota parecia não se importar em se colocar em risco. E isso o machucava mais do que qualquer osso quebrado ou carne rasgada.

– Não tem como você ter certeza disso – afirmou ele.

– Você também não, Joel – lágrimas começaram a marejar os olhos dela. – Marlene acreditava que eu era a chave para cura. Quem sabe para o mundo todo. O que quer eu tenha diferente dentro de mim, era a solução, até que chegamos na cidade Salt Lake. Lá tudo mudou...

– Está se culpando por algo que não teve responsabilidade nenhuma – Joel se mantinha sério, mas por dentro estava consternado.

Ellie ficou de costas para ele, olhando para baixo, como sentisse todo o peso do mundo em suas costas.

– Sabe, Joel, eu estou cansada.

– Cansada?

– Sim, cansada. Cansada de ver as pessoas sofrerem, da morte, dos monstros que andam entre nós. Agora posso perder o amor da minha vida. Isso tudo é uma droga!

– É por esse motivo, Ellie.

– Como assim, motivo?

– Por isso que insisto que você não conte o seu segredo para ninguém. Não sabemos como as pessoas irão reagir ao saber da sua imunidade ao fungo. Isso pode gerar apenas histeria e ódio, trazendo apenas perigo.

– Não quero ouvir mais essa história, pode existir alguém que possa fazer algo com isso – ela voltou a encará-lo, com o rastro das lágrimas marcando suas bochechas.

– Infelizmente, isso não vai acontecer. Por isso é bom manter o segredo – insistiu ele.

A jovem sentia um misto de frustração e raiva.

– Não vou fazer isso, não mais! Chega de segredos, chega de me esconder de todo mundo! Irei contar para o máximo de pessoas que eu puder, é isso que vou fazer a partir de agora!

– Pare de ser estúpida, garota! – Joel deixou ser consumido pela sua raiva, explodiu dizendo algo que se arrependeria depois: – Não vê que esse é o motivo para a WLF ter ido até Jackson? Eles queriam você! Isso mostra o quão perigoso é sair contando as coisas por aí.

Os dois ficaram se encarando, respirando pesado. Se sentiam, ao mesmo tempo, vítimas e algozes naquela conversa.

Por fim, Joel foi o primeiro a ceder.

– Me desculpe, garota. Eu não quis...

– Não quis o quê? – interpelou Ellie. – Jogar a verdade na minha cara. Eu sei que a Dina está em apuros por minha causa, tá bom?!

A jovem pegou as coisas dela, que estavam espalhadas pelo chão, próximos a uma mesa virada, e foi para outra sala daquele andar. Joel conseguiu ouvir o trinco de uma porta sendo fechado. Sabia que Ellie não devia ser incomodada. Apagou a sua lanterna e ficou em silêncio no escuro, assim como Jesse que fingira estar dormindo durante toda a conversa entre eles.

Na calada da noite, irritada, Ellie partiu sozinha ruma ao centro da pequena cidade. Decidida a salvar seu amor. Vou te salvar Dina, custe o que custar – pensava ela dando passos firme na escuridão da noite.



CONTINUA...

Revisão: Giuseppe Del Mastro

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